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Saúde mental em tempos de Coronavírus



Por: Kenny Teschiedel

Psicólogo e autor de O rapto dos dias


Quando o COVID-19 ainda era uma realidade exclusiva dos chineses, os estudos para o combate e à prevenção do vírus eram muito primitivos. Havia muito despreparo e, obviamente, pelo ineditismo da doença, não se sabia claramente de seus efeitos, sua letalidade. Em função disso, muitas especulações foram originadas e, por consequência, fantasias em torno da doença.

De certa forma, a sensação apocalíptica gerada pelos altos índices da doença culminou em uma cultura de apavoramento, pânico e apreensão. Com relativa razão.

Contudo, os estudos avançaram. Até a chegada do vírus no Brasil, pelo menos, já conseguimos saber os sintomas, formas de tratamento e identificar as populações de risco.

Ou seja: temos formas de reduzir as estatísticas e evitar que outras pessoas sejam infectadas.

Apesar disso, lavar bem as mãos e ficar em casa não parecem medidas suficientes para evitar a ansiedade e o pânico, especialmente em casos que já convivem com algum tipo desses sintomas que, infelizmente, não são provenientes do Corona, mas de uma série de outros fatores que, agora, podem ser potencializados.

Sendo assim, é preciso repensar algumas atitudes e nos readequarmos enquanto enfrentamos essa crise.

Inicialmente, convém acreditar nos especialistas. Não trata-se de um apocalipse. É, de fato, um fenômeno atípico, mas alardear não surtirá efeitos que erradiquem o vírus.

Em seguida, precisa-se ter noção de que esse período será passageiro e transitório. E, por este motivo, privilegiar a razão em detrimento das emoções. Ora, se as pessoas estão se dirigindo aos supermercados, a fim de armazenarem mantimentos, devo eu seguir este exemplo? A indução a comportamentos que geram essa sensação de “exclusão” é da ordem do irracional.

Além disso, a crise gerada pelo Coronavírus promove um efeito cascata: os comércios fecham, as empresas param, as indústrias deixam de produzir. A partir de então, além da crise na saúde, a crise na economia também pode vir a se tornar um reflexo da doença. Mais uma vez é preciso voltar os holofotes às vias da razão. A pausa é necessária e os lucros devem ser vislumbrados quando este período encerrar.

Há de se ponderar, também, quanto àqueles que não dispõem de condições para seguir as recomendações.

Trata-se das pessoas em situação de rua; das comunidades que enfrentam a falta de água e, desta forma, não conseguem lavar as mãos com tanta frequência; dos profissionais da área da saúde e os demais que lidam com o abastecimento de produtos, alimentos, etc. Uma das formas de protegê-los e ajudá-los é, simplesmente, mantendo-se em quarentena, ficando em casa. Assim, o vírus não circulará. É também uma forma de experimentar e promover a empatia, já que, ao colocar-se no lugar destas pessoas, é possível reconhecer as dificuldades e necessidades que enfrentam.

A quarentena, por sua vez, propõe um convívio forçado consigo mesmo. Inegavelmente, pode vir a ser um gatilho para depressão, crises de ansiedade, pânico e a danificação da saúde mental, que é tão importante quanto a saúde física. Neste sentido, sugere-se àqueles que já experimentaram sintomas semelhantes, que recorram aos mesmos auxílios e ferramentas utilizadas anteriormente: meditação, medicamentos, exercícios e, claro, terapia (falaremos mais adiante sobre).

O novo e o desconhecido geram inseguranças, incertezas e apreensão. Contudo, é preciso encontrar durante este período de reclusão, pontos que recuperem as sensações de prazer: ler um bom livro, assistir um bom filme, passar um café gostoso. É o momento ideal para desengavetar a ambição de fazer um curso on-line, fazer aquela faxina no guarda-roupa, etc. Se a academia fechou, utilize da tecnologia a seu favor: busque por tutoriais na internet e realize seus exercícios de casa.

Àqueles que, por ventura, conseguirão manter suas atividades de trabalho em casa (home Office), é aconselhável que naturalizem este processo. Mesmo que não precisem deslocar-se para o trabalho, por exemplo, é importante que mantenham a mesma rotina, levantar no mesmo horário, alimentar-se bem e produzirem com o mesmo afinco e dedicação.

Uma consideração importante: administrar com prudência as informações recebidas. Durante todo o dia, nos mais diversos canais de comunicação, somos bombardeados pelo alto número de informações a respeito da doença, que se propagam numa velocidade.

Sabendo que isso pode despertar sua ansiedade ou nervosismo, faça-se um bem e desconecte-se.

E algo que, pessoalmente, considero primordial: não divulgar notícias falsas (fakenews). Parece uma atitude pequena, mas de um resultado grandioso!

Por fim, a terapia, né? O Conselho de Psicologia autorizou que psicólogos possam atender através das plataformas digitais (Skype e WhatsApp) e é, sempre, uma ajuda valiosa contar com a escuta qualificada de um profissional.

Lave bem as mãos! Fique em casa! Cuide-se! Proteja-se!



A Hope com o intuito de deixar a sua quarentena menos tediosa, estará deixando os e-books gratuitos nos dias 21 e 22 de março.

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Sem beijos e sem contatos

Élpis

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